Por Mariana Motta

 

Durante as 38 semanas e 6 dias da minha primeira gestação eu me preparei para o parto. Li textos, assisti vídeos, me preparei para a amamentação, para noites em claro. Eu fiz o enxoval e decorei o quarto. Durante as 38 semanas e seis dias da minha primeira gestação eu me preparei para tudo, menos para a perda. Infelizmente essa foi a preparação que faltou.

Numa consulta de pré-natal fui encaminhada para a maternidade. Eu precisava de uma ultra de emergência. Batimentos cardíacos fetais muito baixos e falta de movimento. Eu estava confiante: É hoje! Mas, não foi. Na ultra o médico constatou que o bebê já não tinha mais batimentos e dali em diante tudo ficou muito confuso. A única coisa que lembro é de horas depois dar a luz a um menino que tinha a cara do pai e muito cabelo. Muito mesmo! E é aqui que começa o meu relato, porque a gente só lida com a perda quando ela toma forma.

Enquanto para algumas mães aquele momento é o primeiro de muitos, pra mim aquele momento era o único, eu precisava olhar meu filho e guardar cada detalhe daquele rosto, porque não o veria de novo e ali foi a primeira vez que doeu a saudade do que nunca iria acontecer.

Saindo do hospital, além de ter de lidar com o luto, eu precisava lidar com todas as outras pessoas que não sabiam o que fazer e sobre o que falar. Assim sendo, optei por me blindar. Apaguei perfil em redes sociais e reduzi meu circulo social ao mínimo possível. Tudo que eu queria era não ter que fazer social ao redor de gente cheia de dedos pra lidar comigo, fingindo que os últimos meses não tinham existido ou contando histórias de terror disfarçadas de superação: “A Fulana passou por isso três vezes, mas depois teve os meninos.”.

Aos poucos a necessidade de chorar vai diminuindo, mas ao contrário do que dizem, ela nunca some. Infelizmente a saudade do que nunca houve persiste.

Não existe uma fórmula mágica de se lidar com a perda e cada pessoa encontra a sua. Para mim o melhor foi me isolar por uns tempos, reforçar a minha crença de que nada acontece por acaso e focar energia no novo, no que ainda estava por vir.

Hoje, 4 anos e 4 meses após a minha perda, tenho um casal de filhos que, graças ao irmão, encontraram ao nascer, uma mãe mais tranquila, com a serenidade de quem sabe que a vida é feita de momentos e que cada um deles é precioso.